Sarna demodecica em cães

Ademodicose também conhecida como sarna demodecica, sarna folicular ou sarna escabiose, é uma dermatopatia parasitária inflamatória, caracterizada pela presença de uma superpopulação de ácaros Demodex canis.A proliferação  de ácaros pode ser devida a distúrbio genético ou imunológico.A demodicose pode ser localizada ou generalizada, juvenil ou adulta.

No diagnóstico se faz uso dos raspados de pele, e biópsia. No tratamento são utilizados fármacos como amitraz e as alternativas avermectinas.

Na rotina clínica veterinária de pequenos animais, um grande número de casos observados envolve lesões da pele ou de seus apêndices. Uma das doenças cutâneas mais comum é a sarna demodécica, também conhecida por demodecicose ou sarna negra, é causada pelo ácaro Demodex Canis, que faz parte da fauna natural presente na pele de todos os cães. Esse ácaro habita folículos pilosos, glândulas sebáceas e sudoríparas apócrinas, frequentemente produzindo furunculose e infecção bacteriana secundária. Para que a doença se dê, alguns fatores podem ser listados como contribuintes para o surgimento das lesões, sendo eles: nutrição inadequada, estresse, endoparasitoses, enfermidades debilitantes, imunossupressão medicamentosa e alterações endócrinas em fêmeas durante o ciclo estral (SCOTT; MILLER; GRIFFIN, 1996; FOIL, 1997; GREINER, 1999; RHODES, 2003).

Não são necessários sofisticados equipamentos eletrônicos, ou de imagem, para o exame dermatológico. A observação a olho nu é um dos mais importantes meios para o diagnóstico de dermatopatias. A despeito disso, exames complementares devem ser realizados, para direcionar a investigação e, destes, o raspado profundo de pele, é um dos exames mais frequentemente realizados e que apresenta a melhor relação custo/beneficio (WILKINSON; HARVEY, 1996 a).

A demodicose canina é um processo inflamatório da pele caracterizado pela presença do ácaro Demodex canis. A doença é multifatorial, ocorrendo quando o número de parasitos excede o tolerado pelo sistema imune, levando ao desenvolvimento de lesões cutâneas. A proliferação inicial pode ser resultado de um distúrbio genético ou imunológico (GOTHE, 1989; BARRIGA et al., 1992; ALVES FILHO et al., 1996; TOMAN et al., 1997; 6 MOJZISOVA; PAULIK; BARANOVA, 1999; DESCH, HILIER, 2003; RHODES, 2003; DeMANUELLE, 2004; FUKATA et al., 2005; RHODES, 2005).O Demodex canis é um artrópodo aracnídeo da Família Demodicidae, Subclasse Trombidiforme (SOULSBY, 1982; FOLEY, 1991), membro da microbiota cutânea normal no cão, que causa dermatopatias em algumas situações especiais, quando ocorre superpopulação (NUTTING; DESCH, 1978; HENPF; OLSCHEWSKI; OLSCHEWSKI, 1988).

A demodicose é a enfermidade mais frequente em cães de raça e seus cruzamentos, especialmente aqueles de pêlo curto, como Basset Hound, Beagle, Boxer, Dachshund, etc, mas também pode ocorrer em cães com pelagem mais longa,como Pastor Alemão, Cocker Spaniels, etc (MEDLEAU; HNILICA, 2006a).

Existem duas formas de apresentação clinica da demodicose canina: a juvenil, que se desenvolve em cães jovens com suscetibilidade genética e, a adulta, que ocorre em cães em idade adulta e com imunossupressão. A doença é ainda adicionalmente classificada como localizada e generalizada.

Na forma localizada da doença, as lesões ocupam áreas reduzidas e descontinuadas, normalmente na cabeça, pescoço ou membros anteriores.

A demodicose generalizada é a forma mais grave da doença, e se apresenta como uma dermatite crônica com liquidificação, descamação, formação de crostas, hiperpigmentação, piodermatite severa e alopecia, cobrindo grandes áreas do corpo, mas o estabelecimento dessa patologia é rara em adultos.

Os sinais clínicos associados ademodicose são altamente variáveis e incluem perda de pêlo, vermelhidão da pele e recidivas de infecções cutâneas bacterianas (DeMANUELLE, 2004).

A doença é diagnosticada por meio de obtenção de raspados cutâneos profundos e pela observação dos ácaros em microscopia óptica comum. Considerar-se indicativo de doença, a verificação de inúmeros ácaros e a presença de suas formas imaturas (GREINER, 1999; DeMANUELLE, 2004).

Como tratamento para essa dematopatia podem ser utilizados fármacos como amitraz, e avermectinas, em associação com o tratamento das infecções bacterianas secundárias.

O amitraz é um agonista de receptores adrenérgicos alfa2, inibidor da mono-amino-oxidase (MAO) e da síntese de prostaglandinas (PARADIS, 1999; HUGNET et al., 1996). O uso é tópico, e para maximizar o contato com a pele, visando maior eficiência, é fundamental que cães de pelagem média e longa sejam tosados, e seja usado um xampu antibiótico para remover crostas e bactérias, antes da rinsagem com o amitraz (KWOCHKA,1993; PARADIS, 1999).

Os cães não podem se molhar entre as aplicações, e os protocolos de tratamento variam de 0,025% a cada 14 dias até 1,25% semanalmente (FARMER; SEAWRIGHT, 1980; MULLER, 1983; SHIRK, 1983; BUSSIERAS; CHERMETTE, 1986; KNOTTENBELT, 1994; HAMANN; WEDELL; BAUER, 1997; HUGNET et al., 2001; SCOTT; MILLER; GRIFFIN, 2001), a cada 24, 48 ou 72 horas.

A eficácia do tratamento com amitraz apresenta grande variação, em função das diferentes formas de emprego, sendo que a literatura informa percentuais de sucesso variando entre 60 e 86% (MEDLEAU; WILLEMSE, 1995; MULLER, 1983), 0 a 92% (KWOCHKA; KUNKLE; O'NEILL, 1985) e 0 a 100% (MUELLER, 2004).

O tratamento com avermectina é considerado a terapia a mais eficaz e de baixo custo para controle da afecção, porém ainda não é oficialmente aprovada. O fármaco é administrado na dosagem de 0,3 a 0,6 mg/kg/dia, sob a apresentação de comprimidos, durante o período de 60 dias, associados com 3 exames de raspado cutâneos negativos.  Em animais idosos ou imonossuprimidos a terapia pode ser mais prolongada.

Sabe-se que os banhos com xampu anti-seborréico visa a remoção das crostas para em seguida fazer a aplicação de escabicidas com intervalos de sete dias, durante um período de cinco semanas, sendo que este tempo pode-se prolongar caso o quadro clínico seja mais grave. O isolamento dos animais acometidos por essa enfermidade deve ser feita, para assim minimizar o contato com outros animais e evitar a disseminação desta dermatopatia.

Em associação com esta dermatopatia, é frequente o aparecimento de piodermite secundária, e por isso deve-se fazer o uso de antibióticos como cefalexina, enrofloxacino e amoxicilina com ácido clavulânico por períodos de no mínimo 4-8 semanas.

A demodicose canina é causada pelo ácaro Demodex Canis, que faz parte da fauna natural presente na pele de todos os cães. Essa dermatopatia quando se desenvolve na forma localizada, em geral é auto limitante, e então não necessita de tratamento. Porém existe a forma generalizada da demodicose canina que pode comprometer severamente o estado físico do animal e até mesmo levá-lo a morte. Seu tratamento não deve enfocar somente ácaros, mas também a eliminação de bactérias quando da presença de piodermite e celulite (PARADIS, 1999; MATHET; BENSIGNOR; SEGAULT, 1996; MUELLER, 2004), empregando-se antibióticos por tempo prolongado (SHAW; FOSTER, 2000).  Não é recomendado o uso de corticosteróides, pois estes fármacos são imunossupressores o que pode então desencadear o agravamento do quadro. Em associação com o tratamento deve-se ser feita a raspagem cutânea profunda, uma vez que este deve ser o parâmetro para considerar ser o cão está totalmente curado, já que a melhora clinica acontece na maioria dos casos.

Por: Paula Paniago Passarinho

     

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