Avaliação de touros no sistema de monta natural

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A fertilidade é inquestionavelmente uma das mais importantes características a ser considerada, tanto nos sistemas produtivos de carne, quanto nos de leite. Economicamente, o mérito reprodutivo é 5 vezes mais importante para o produtor de bezerros do que o desempenho no crescimento e 10 vezes mais importante do que a qualidade do produto. Quando se discute o componente “touro” isoladamente, conclui-se que a importância da fertilidade do macho é muito maior do que a de qualquer fêmea individualmente, já que o touro pode se acasalar com um número muito maior de fêmeas, tanto na monta natural como na inseminação artificial (Barbosa, et al, 2005).

Por isso se faz tão importante o exame andrológico completo, que fundamenta-se na avaliação de todos os fatores que contribuem para a função reprodutiva normal do macho. Neste sentido, a habilidade para a monta, a libido e sua resistência ao longo da estação de acasalamento são características que devem ser avaliadas. O teste da libido realizado frente a um grupo de fêmea possibilita predizer a capacidade de monta e interesse sexual destes machos. A avaliação criteriosa das características escroto-testiculares e seminais auxiliará e garantirá a introdução de machos aptos à reprodução na estação de acasalamento.

Inúmeras são as vantagens das avaliações andrológicas de touros em propriedades que utilizam o sistema de monta natural, principalmente quando em condições extensivas. Dentre elas, podem ser listadas a oportunidade de classificação e seleção dos touros de maior potencial reprodutivo, bem como a possibilidade de descarte de touros estéreis e subférteis. Tais medidas permitiriam maior intensidade de seleção sobre os reprodutores, o que resultaria em uma mais adequada utilização dos mesmos pela diminuição da relação touro/vaca, com melhorias significativas nos ganhos genéticos e nos índices zootécnicos dos rebanhos (Salvador, 2001).

A realização do exame andrológico consiste nas seguintes etapas:

1 – Identificação detalhada do animal (nome, nº de registro, tatuagem, data de nascimento, raça, peso e filiação) e do proprietário (nome, telefone, endereço…)

2 – Exame clínico Anamnese, geral e do sistema genital

O primeiro deve ser feito de acordo com o objetivo do exame a ser registrado no laudo e inclui toda a história clínica do animal, devendo-se relatar sucintamente, não apenas o motivo da realização do exame, mas também ocorrências relevantes sobre o animal e o rebanho ao qual pertence.

o segundo consiste no exame semiológico completo do animal. Caso seja detectada alguma alteração, o exame clínico deverá ser aprofundado. Atenção especial deve ser dada à existência de defeitos hereditários.

E para o ultimo, sistema genital, utiliza-se a inspeção e palpação podendo ser complementado com a ultra-sonografia. Verifica-se a presença, dimensões, consistência, simetria, mobilidade das partes do sistema genital, além da compatibilidade das mesmas com o desenvolvimento corporal e idade do animal. São avaliados o escroto, os testículos, os epidídimos, os cordões espermáticos, o prepúcio, o pênis e a genitália interna.

Dentro do exame do sistema genital, a circunferência escrotal (CE) se destaca. As altas correlações fenotípicas entre CE/idade e CE/peso, 0,68 e 0,75, respectivamente, para animais de dois e três anos de idade, sugerem a CE como adequado parâmetro para identificação dos animais com maiores potenciais de ganho de peso e precocidade, mesmo quando submetidos à restrição alimentar (Salvador, 2001).

Toelle e Robison, 1985 (citados por Dias, 2004) relatam que touros com maior CE têm filhas com maior eficiência reprodutiva, em razão de esta característica apresentar correlações genéticas favoráveis com taxa de prenhez e idades à primeira cobrição e ao primeiro parto.

3 – Realização de um espermograma seguro e confiável exige material de campo e de laboratório especiais. Muitas improvisações vêm sendo feitas e isto sempre acarreta uma quebra da qualidade do ejaculado, levando muitas vezes à condenação injusta de um reprodutor apto, ou, em alguns casos, à liberação de um inapto.

É importante escolher o método de coleta do ejaculado, já que cada espécie tem um método de eleição. O método utilizado deve constar no laudo. Para a realização do exame andrológico em bovinos, os seguintes métodos são indicados em ordem de eleição: vagina artificial, eletro-ejaculador e massagem de ampola.

Nessa fase também são analisadas as características físicas do ejaculado, levando em conta aspectos como: Volume (medido em ml), aspecto (cor e aparência), movimento de massa (movimento em forma de ondas observado em uma gota de sêmen), motilidade (porcentagem de espermatozóides móveis), vigor (velocidade em que os espermatozóides se movimentam) e concentração (nº de espermatozóides por ml).

Ainda são analisadas as características morfológicas dos espermatozóides através de esfregaços corados ou preparação úmida. A técnica de preparação úmida é mais indicada que os esfregaços corados por técnicas convencionais. Algumas colorações específicas podem ser utilizadas para se avaliar determinadas partes do espermatozóide, melhorando a acuidade da avaliação. No geral, esses exames especificam os defeitos maiores e menores encontrados nos espermatozóides.

4 – Realização de exames complementares, já que nem sempre o andrológico se completa nesta etapa e se faz necessário outros exames mais sofisticados para serem interpretados em conjunto.

5 – A ultima etapa é o diagnóstico ou conclusão, onde se classifica os animais em aptos, questionáveis e inaptos à reprodução, sendo que essa classificação não é permanente.

A qualidade do sêmen é essencial para coadjuvar o diagnóstico e/ou prognóstico de animais com baixo potencial reprodutivo, uma vez que apenas o exame clínico é insuficiente para detectar disfunções de caráter genético-hereditárias.

 

Fonte: Site Farmpoint

Adaptação: Rrevista  Veterinária

 

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Atualizado em: 29 de junho de 2011