Melhore o manejo de seu rebanho através da palpação retal

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A palpação retal é uma técnica usada para o diagnóstico de prenhes em alguns tipos de animais. Em rebanhos, ela pode ser usada também a fim de aumentar os lucros dos produtores, que podem fazer uso das informações reunidas pela técnica para um manejo adequado dos animais.

 A vaca, assim como a égua, é uma espécie doméstica na qual, devido ao seu grande porte, é possível a introdução da mão e o braço do médico veterinário pelo reto, o que se denomina palpação retal.  O diagnóstico de gestação por palpação direta do útero, frequentemente chamado de toque, é um procedimento que se baseia no conhecimento da anatomia da genitália e na evolução fisiológica (transformações anatômicas) da gestação.

Descreve-se a técnica do diagnóstico precoce da gestação na vaca, por palpação reta, a partir dos 28 dias. Nesse procedimento, passa-se o polegar de um lado do corno uterino e os demais dedos do outro lado, com a finalidade de avaliar o diâmetro do corno. A gestação, nesta fase, se caracteriza por uma estrutura túrgida, de espessura discretamente maior em relação ao corno uterino não gestante.

As características clínicas observadas nos diferentes estágios de gestação da vaca através de palpação retal são as seguintes:

a) 28 dias: geralmente só é viável em novilhas; caracteriza-se por apresentar um espessamento da vesícula embrionária no corno uterino gestante;

b) 32 dias: realiza-se o beliscamento (deslizamento do corio-alantóide sobre a parede do útero) demonstrando a presença de paredes duplas. Esse procedimento deve ser realizado no corno oposto ao do corpo lúteo, onde se encontra o embrião, para que este não seja lesionado. Nesse período a placenta já se expandiu pelos dois cornos;

c) 45 dias: a assimetria é evidente e denomina-se pequena bolsa;

d) 90 dias: o útero pode ser contornado, em toda sua extensão, com a mão, e chama-se grande bolsa;

d) 120 dias: o útero toma forma de balão e não se consegue passar a mão por debaixo dele; encontra-se distendido e tenso;

e) 5 meses: a cérvix está pesada e afunilada para baixo e essa fase é denominada fase de descida;

f) 6 meses: o feto atinge a base do abdômen; 7 meses: o feto começa a voltar para a cavidade pélvica, palpa-se a cabeça do feto, denomina-se fase de subida;

g) 8 meses: o feto começa a se posicionar para o parto.

A partir dos 4 meses, nota-se o frêmito da artéria uterina média (vibração, diferente de pulsação) que é assimétrico, sendo mais intenso e a artéria mais espessa no corno gestante e por isso deve-se palpar os dois lados.

Um problema sério que o clínico encontra é quando ocorre morte fetal, aborto ou puerpério inicial onde o útero se encontra profundamente na cavidade abdominal e não se palpa o feto. Pode-se ter dificuldades de diagnosticar gestação ou essas anormalidades entre 5 e 6 meses de gestação. A viabilidade da gestação nessa fase pode ser avaliada através da palpação do frêmito da artéria uterina média que não está presente nas situações anormais.

Para a vaca sugere o teste de Cuboni que se baseia na detecção de estrogênio na urina que, na égua, seria viável a partir dos 120 dias de gestação e, na vaca, a partir dos 150 dias.

Embora seja possível diagnosticar gestação no bovino, através de ultrassonografia, a partir do 20º dia, a exatidão desse diagnóstico é, praticamente, de 100% a partir do 25º dia. A introdução do transdutor linear de 5MHz através do reto proporciona imagens no monitor que aparecem em preto quando não há ecogenicidade, ou seja, em estruturas líquidas. A imagem branca (ecogênica) é gerada quando as ondas sonoras refletem em estruturas sólidas

Cabe considerar que, a partir dos 45 dias de gestação, a técnica mais apropriada para o diagnóstico é a palpação retal. O uso de ultrassom é recomendado quando se necessita diagnóstico precoce, em situações de perdas de gestação, problemas de infertilidade e monitoração de saúde fetal.

Em resumo, os principais benefícios deste procedimento para o produtor seriam:

1. Descarte de vacas vazias (seleção por fertilidade);

2.  Estimar melhor potreiro para as gestantes;

3. Comercialização: gestantes com atestado e vazias para descarte;

4. Monitoramento de perdas de gestação (mortalidade embrionária e abortos) e tomando decisões diagnósticas para seu controle;

5. Descarte de vacas com gestação inadvertida (“cria roubada”) para aliviar lotação de potreiros de acasalamento;

6. Remover as vacas com gestação precoce (25 dias), progressivamente, dos potreiros de inseminação, através de ultrassonografia, aliviando a lotação e evitando perda de peso do lote (estiagem no verão);

Infelizmente, na produção bovina, o diagnóstico de gestação não é utilizado adequadamente para proporcionar lucros ao produtor, pois a informação é arquivada e raramente é usada para decisões de manejo visando atender as necessidades nutricionais doa animais e de manejo da propriedade.

Fonte: Grupocultivar

Adaptação: Revista Veterinária

 

 

 

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Atualizado em: 29 de novembro de 2018

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