Silagem e Sorgo

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O sorgo é uma planta principalmente forrageira, sendo utilizada, sob diversas formas em países como EUA, Argentina, México, Austrália, etc. Nestes países o sorgo contribui significativamente para minimizar os problemas decorrentes da estacionalidade da produção de forragem. No Brasil a cultura do sorgo contribui com aproximadamente 10-12% da área total cultivada para silagem.

O potencial de produção de matéria seca aumenta com a altura da planta, enquanto a porcentagem de panícula decresce e uma taxa menor nos híbridos de porte baixo em média, passa a decrescer, numa taxa maior naquelas cultivares de porte muito baixo. Como a relação folha, colmo e panícula influencia diretamente no valor nutritivo da silagem , os esforços têm sido no sentido de desenvolver híbridos com bom equilíbrio entre essas partes.

Em se tratando de sorgo para silagem, existem basicamente 3 tipos: granífero, duplo propósito e forrageiro. Os sorgos ditos graníferos apresentam menos produção de matéria seca, porém a forragem é de alta qualidade, enquanto o sorgo forrageiro apresenta altas produções de matéria seca; entretanto, a qualidade normalmente é baixa em função da baixa porcentagem de grãos. Os sorgos ditos de duplo propósito se situam entre os graníferos e forrageiros tanto em qualidade como em produção de matéria seca.

Com relação ao valor nutritivo, considera-se que as silagens de sorgo apresentem de 85 a 90% da qualidade do valor nutritivo da silagem de milho. Obviamente que a variação entre os inúmeros híbridos existentes no mercado é alta.

Na prática, a escolha da cultivar ou híbrido de sorgo se dá em função do rebanho existente. Em propriedades com rebanho de elite usa-se, normalmente, sorgo de duplo propósito ou granífero, enquanto propriedades com rebanho menos qualificados optam pelo sorgo forrageiro.

Processo de Ensilagem

O processo de ensilagem consiste na conservação de forragem em ambiente hermeticamente fechado para que aconteça a fermentação, um processo bioquímico que ocorre em condições anaeróbicas, e, portanto, a eficiência do processo de ensilagem depende primariamente da ausência de oxigênio na massa ensilada. Embora seja entendida como uma técnica complexa, sabe-se que para a obtenção de boas silagens são necessários procedimentos básicos e simples, como:

– Compactação da massa ensilada para retirada de oxigênio.

– Ensilar forragens com nível adequado de carboidratos fermentáveis (mínimo de 12%)

– Colher a forragem com nível adequado de matéria seca (30-35%).

Com relação à silagem do sorgo, é importante destacar:

Tipo de sorgo: Conforme citado anteriormente, existem, basicamente, três tipos (granífero, duplo propósito e forrageiro). Não existe uma indicação padrão para se escolher qual deles o produtor deve utilizar. Sabe-se que os sorgos graníferos produzem silagens com melhor valor nutritivo devido a maior concentração de grãos na massa ensilada. Propriedades com rebanhos de alta produtividade podem optar por esse tipo de sorgo, pois certamente a formulação de dietas com altos níveis de energia será facilitada. Já as propriedades com categorias de animais menos exigentes, como por exemplo, bovinos de corte e ovinos, poderão optar pela confecção de silagens de sorgos forrageiros, pois, assim, há possibilidade de se aumentar a produção de matéria seca por hectare, podendo, ainda, alimentar maior número de animais.

Ponto de colheita: O ponto para colheita do sorgo depende das características da variedade. Variedades de porte médio/baixo devem ser colhidas quando os grãos, na posição mediana da panícula, atingirem o ponto pastoso-farináceo, isto é, nem leitosos nem duros. Já as variedades de porte alto (sorgo forrageiro), devem ser colhidas quando os grãos estiverem no estágio farináceo-duro. Um aspecto importante a ser destacado é a enorme preocupação do produtor rural em colher o sorgo quando aparecem as primeiras folhas secas. Sabe-se que plantas bem nutridas apresentam todas as folhas verdes, quando do enchimento dos grãos, enquanto as plantas que apresentam deficiências hídricas ou minerais tendem a senescer as folhas precocemente. Desta forma o produtor não deve se preocupar com o percentual de folhas senescentes, pois além de não serem um bom indicativo do status de umidade e maturidade da planta, representam apenas 12% do total da massa ensilada (NUSSIO e PENATI, 1999).

 

Fonte: Adaptado do Artigo TÉCNICAS PARA PRODUÇÃO INTENSIVA DE VOLUMOSOS EM REGIÕES SEMI-ÁRIDAS de José Neuman Miranda Neiva e Vânia Rodrigues de Vasconcelos

Reprodução e Readaptação: Revista Veterinária

 

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Atualizado em: 5 de maio de 2011