Animais também doam sangue

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Como em humanos, animais com algumas doenças eritrocitárias como Babesiose e Erliquiose, em casos de acidentes e cirurgias, em que o animal perde muito sangue, muitas vezes, é necessária a transfusão de sangue. No entanto, pouca gente sabe disso, tornando a doação em bancos especializados menor do que a em humanos, o que já não é satisfatório.

Tanto o ato da doação, quanto os procedimentos envolvidos e exigências, são bem parecidos com os de humanos. O procedimento dura em torno de 30 minutos, é gratuito e o animal recebe um lanche após a doação, além de o proprietário ganhar um hemograma do seu animal. Diferente de humanos, o animal precisa estar em jejum de, no mínimo, 4 horas.

A doação pode ser realizada com um intervalo de, aproximadamente, 3 meses, desde que o animal esteja em ótimas condições de saúde e atendendo as seguintes exigências:

  • O animal deve ter a idade superior a um ano, não sendo indicado para mais novos, por não estarem com a imunidade completamente formada, tornando-se, assim, alvos fáceis de doenças e imunodepressões;
  • Deve ter temperamento dócil para facilitar a coleta;
  • Deve possuir um cartão de vacinas em dia;

A coleta deve ser realizada, preferencialmente, sem sedação, porém, em casos de animais agitados, pode ser feita a tranquilização com cloridrato de clorpromazina, na dose de 3 a 5mg/Kg e ao total da dose deve ser adicionado atropina na dose de 0,4 mg/Kg. O tranquilizante deve ser injetado por via endovenosa, pela veia cefálica.

Há técnicas que utilizam outras regiões para coleta do sangue no doador, como pela punção cardíaca, porém a mais utilizada e segura é a obtenção do sangue pela veia jugular.

O sangue coletado deve ser armazenado, diretamente através de um sistema fechado, em uma bolsa plástica própria, contendo uma substância anticoagulante. Após o procedimento, a bolsa deve ser identificada, datada e armazenada à 5ºC por, aproximadamente, 21 dias.

A indicação para a transfusão em cães (receptores) é nos casos em que o número de hemoglobina seja menor que 5 g/100ml e hematócrito menor que 15% e pelas vias endovenosa, intraperitoneal ou intrafemural. Já em gatos, esse número cai para 4 g/100ml de hemoglobina e 12% o hematócrito e pode ser transfundido pelas veias jugular e cefálica em adultos, e intrafemural em filhotes.

Mesmo possuindo variações de tipos sanguíneos, tanto cães como gatos não possuem anticorpos contra as hemáceas transfundidas, então não é necessário fazer o teste de compatibilidade na primeira transfusão, apenas a partir da segunda devem ser tomados maiores cuidados.

Durante a transfusão, o animal deve ser observado para possíveis reações alérgicas, como urticárias ou taquicardias, casos em que a hemoterapia deverá ser suspensa.

Clínicas geralmente realizam esse tipo de procedimento quando necessário, buscando um doador, de imediato, pelo fato de ainda não existirem muitos “Bancos de Sangue Animal”. Grandes centros como Florianópolis, São Paulo e Belo Horizonte já possuem esse tipo de serviço.

Fonte: Center Vet

Adaptação: Revista Veterinária

 

 

 

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