Cães podem apresentar hipotireoidismo

Para a medicina humana o hipotireoidismo é uma doença comum, conhecida por muitas pessoas. Os animais também podem ser acometidos por esta doença, sendo que os cães são os mais afetados. O hipotireoidismo é uma doença multissistêmica comum em cães, principalmente os de meia idade e de raças puras.

O hipotireoidismo ocorre quando a glândula tireoide deixa de produzir a quantidade necessária de hormônios tireoidianos que são necessários para a manutenção da normalidade das funções metabólicas do organismo.

Os hormônios T3 e T4 são produzidos na glândula tireoide. O T3 é a forma ativa. Em cães, aproximadamente metade da concentração de T3 é proveniente da glândula tireoide e a outra metade de outros tecidos do corpo. Nos humanos, cerca de 80% da concentração de T3 vem da ativação de T4 em T3 em outros tecidos do corpo.

A destruição (autoimune) da glândula tireoide é um dos principais fatores para a ocorrência do hipotireoidismo em cães, mas pode ocorrer também devido a atrofia natural da glândula, dieta pobre em iodo ou pode ser devido a uma má formação congênita.

Os sinais mais comuns relacionados ao hipotireoidismo aparecem normalmente durante a meia idade (4 a 10 anos), e desenvolvem-se mais cedo nas raças predispostas como Golden Retriever, Doberman, Setter irlandês, Boxer, Dougue Alemão e Dachshund.

O hipotireoidismo pode apresentar uma coleção de sinais nos cães devido à presença do hormônio da tireoide em diversas áreas do metabolismo normal do organismo, sendo assim, a sua falta causa problemas em diversos órgãos e sistemas. Em cães adultos ocorre uma diminuição do metabolismo celular, interagindo com as atividades e o estado mental do cão. Os sinais metabólicos não são notados facilmente pelo proprietário porque aparecem gradativamente, e estão relacionados com a duração do quadro de hipotireoidismo.

Os sinais metabólicos mais comuns são: letargia, inatividade, ganho de peso sem aumento de apetite, intolerância ao frio porque T3 e T4 auxiliam na regulação da temperatura corporal (o animai procura lugares mais quentes), retardo mental, intolerância a exercícios.

Os sinais dermatológicos incluem: seborreia focal, multifocal ou generalizada, com pelagem normalmente seca, opaca e facilmente destacável (os hormônios interferem no metabolismo de lipídios), com novo crescimento piloso normalmente vagaroso alopecia simétrica bilateral não pruriginosa no tronco (inicia-se no pescoço e na cauda, poupando cabeça e membros, podendo ocorrer somente na cauda), hiperpigmentação, pioderma, mixedema facial (nos casos mais graves pelo acúmulo de mucopolissacarídeos ácidos e neutros na derme, que se ligam à água promovendo o espessamento da derme).

 As alterações neuromusculares são: neuropatia vestibular e facial (paralisia do nervo facial), ataxia (andar em círculos, andar rígido com o membro anterior) e claudicação. No sistema cardiovascular evidencia-se bradicardia e diminuição da contratilidade do miocárdio. No sistema reprodutivo observa-se anestro, infertilidade e aborto, galactorreia em fêmeas intactas, porque os hormônios da tireoide são necessários para a secreção de FSH e LH.

Para se diagnosticar se o animal apresenta a doença, não é muito simples uma vez que não se trata apenas de medir os hormônios da tireoide e ver se estão diminuídos. O hormônio T3, por exemplo, varia muito durante o dia, e raramente ajuda no diagnóstico da doença. O T4 pode estar diminuído por diversos outros fatores como uso de medicamentos e presença de outras doenças. Existem diversos outros testes como medir o T4 livre, TSH e TGAA para auxiliar no diagnóstico, mas nenhum deles é 100% específico.

Em relação ao tratamento da doença felizmente este é muito simples. Cães com hipotireoidismo são tratados com a administração oral do hormônio da tireoide T4. Geralmente se inicia dando duas pílulas por dia, diminuindo para uma pílula por dia com o tempo. Este medicamente deverá ser dado durante o resto da vida do seu cão.

A dificuldade do diagnóstico, em muitos casos os cães acabam sendo tratados devido à presença dos sinais clínicos e resolução dos mesmos, após iniciado o tratamento.

Vale ressaltar que é importante seguir as orientações do médico veterinário e checar os valores dos hormônios da tireoide frequentemente para fazer mínimas correções no tratamento.

Fonte: Mundo do Cachorro

Adaptação: Revista Veterinária

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Atualizado em: 9 de janeiro de 2013