O que é a Erliquiose Canina?

A Erliquiose é uma doença infecciosa severa que ataca os cães e é causada por bactérias do gênero Ehrlichia, tendo como principal o tipo Ehrlichia canis. A incidência da doença vem aumentando, significativamente, nos últimos anos, em todas as regiões do Brasil.

A transmissão da Erliquiose entre animais se dá pela introdução de sangue de um cão contaminado em um cão sadio, por intermédio do carrapato. O principal vetor da enfermidade é o carrapato marrom do cão (Rhipicephalus sanguineus), o qual pode também transmitir a babesiose, que em algumas situações pode ocorrer simultaneamente com a primeira. No entanto, a infecção também pode ocorrer no momento de transfusões sanguíneas, através de agulhas ou instrumentais contaminados.

O diagnóstico Erliquiose é difícil no início da infecção, pois os sintomas são semelhantes a várias outras doenças, mas pode ser feito através da visualização da bactéria em um esfregaço de sangue (exame que pode ser realizado na clínica veterinária) ou através de testes sorológicos mais sofisticados, realizados em laboratórios especializados. A presença do carrapato e a ocorrência de outros casos da doença na região podem ser importantes para se confirmar a suspeita clínica.

O tratamento da doença carrega duplo objetivo: curar os animais doentes e prevenir a manutenção e a transmissão da doença pelos portadores assintomáticos. A “Doxiciclina”, medicamento antibiótico, é considerada o principal agente no tratamento da Erliquiose em todas as suas fases. Mas os critérios para o tratamento variam de acordo com a precocidade do diagnóstico, da severidade dos sintomas clínicos e da fase da doença que o paciente se encontra quando do início do tratamento.

Os sinais clínicos da doença podem ser divididos em três fases: aguda (início da infecção), subclínica e crônica (nas infecções persistentes). O tratamento na fase aguda pode durar até 21 dias e na fase crônica até oito semanas.

A previsão de cura da doença depende da fase em que a doença for diagnosticada e do início da terapia. Quanto mais cedo se diagnostica e se inicia o tratamento, melhores são as chances de cura. Em cães nas fases iniciais da doença, observa-se melhora do quadro clínico após 24 a 48 horas do início do tratamento.

A prevenção da doença nos canis em locais de grande concentração de animais é muito importante. Como não existe vacina contra essa enfermidade, a prevenção é realizada através do tratamento dos animais doentes e do controle do vetor da doença: o carrapato. Por isso, produtos carrapaticidas ambientais e de uso tópico são bastante eficazes.

Observa-se, frequentemente, a fase aguda da doença caracterizada por febre (39,5 – 41,5º C), perda de apetite e de peso e fraqueza muscular. Raramente se observam secreção nasal, perda total do apetite, depressão, sangramentos pela pele, nariz e urina, vômitos, dificuldade respiratória ou ainda edema nos membros. Esse estágio pode durar quatro semanas e, ocasionalmente, pode não ser notado pelo proprietário.

A fase subclínica é, geralmente, assintomática, podendo ocorrer algumas complicações tais como depressão, hemorragias, edema de membros, perda de apetite e palidez de mucosas. Quando o sistema imune do animal não consegue eliminar a bactéria, o animal pode desenvolver a fase crônica da doença.

Nessa fase, a doença assume as características de uma doença auto-insone, com o comprometimento do sistema imunológico. Geralmente, o animal apresenta os mesmos sinais da fase aguda, porém atenuados, e com a presença de infecções secundárias tais como pneumonias, diarréias, problemas de pele dentre outras. O animal pode também apresentar sangramentos crônicos devido ao baixo número de plaquetas (células responsáveis pela coagulação do sangue), ou cansaço e apatia devidos à anemia.

Quanto à possibilidade de poder ser transmitida ao homem, existem algumas espécies de Ehrlichia que podem ser transmitidas, pelo carrapato, para os cães e para o homem. Os casos dessa doença em humanos vêm aumentando muito em países como os Estados Unidos, mas no Brasil, o diagnostico em humanos ainda é pouco.

 Fonte: Saúde Animal

Adaptação: Revista Veterinária

 

 

 

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