Um novo método de identificação de Artrite Encefalite Caprina (CAE)

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A Artrite Encefalite Caprina (CAE) é uma doença cosmopolita de alta prevalência nos rebanhos caprinos leiteiros do Brasil e do mundo, sendo inicialmente descrita na Islândia, e posteriormente relatada na França, África do Sul, Índia, Estados Unidos, Chile, Holanda e Alemanha. No Brasil encontra-se disseminada em alguns rebanhos no Rio Grande do Sul, Bahia, Ceará, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Pernambuco, Maranhão, Pará, Piauí, Paraná e na Paraíba. Essa doença já liquidou muitos desses rebanhos brasileiros e exige muito cuidado e observação para evitar a introdução de animais atingidos pelo mal.

A CAE caracteriza-se por apresentar alta morbidade, diminuindo o ganho de peso dos animais e a produção de leite, com interferência na produtividade dos rebanhos leiteiros. Além disso, por tratar-se de uma enfermidade controlada por barreira sanitária, representa um fator limitante para o comércio internacional.

É uma doença causada pelo vírus CAEV (caprine arthritis-encephalitis vírus), de evolução lenta, manifestando diversas formas clínicas, tais como: artrite, problemas neurológicos, pneumo­nias e alterações na glândula mamária, apresentando semelhança molecular e biológica com o vírus visna-maedi. Tendo sido isolado esse vírus, tanto em caprinos como em ovinos, adotou-se a terminologia de Lentivírus de Pequenos Ruminantes (LVPR).

O LVPR pode estar presente em todos os líquidos biológicos do corpo do animal (saliva, sangue, leite, secreção vaginal e sêmen) e sua transmissão mais frequente entre caprinos ocorre através da ingestão do colostro e do leite de animais infectados.

Apesar da utilização de testes sorológicos, como o Imunodifusão em Gel de Agarose (IDGA) para detecção de anticorpos contra os lentivírus ca­prinos (LVC), esses testes apresentam baixa sensibilidade, podendo apresentar resultados falsos negativos devido à soroconversão.

Além do estudo da reação do sistema imune à CAE, portanto, outra área em expansão é a proteômica, a qual visa estudar as proteínas, não específicas do sistema imune, presentes no sangue, leite, saliva, plasma seminal e espermatozóides. Essas proteínas inibem a continuidade do dano tecidual, isolando e destruindo o agente agressor, e ativam o processo de reparação necessária do tecido para o retorno à normalidade.

A maioria dessas proteínas é formada por glicoproteínas sintetizadas pelos hepatócitos, como resposta à lesão tecidual, sendo encontradas na circulação sanguínea. A equipe da Embrapa Caprinos e Ovinos que trabalha com pro­teômica iniciou seus trabalhos com ca­prinos portadores da CAE visando identificar proteínas ligadas a essa enfer­midade no plasma seminal.

Estudos preliminares foram realizados e já mostram uma diferença entre o perfil protéico do plasma seminal entre caprinos Moxotó infectados e não infectados pela CAE. Nos animais soronegativos, verificou-se a presença das proteínas de pesos moleculares de 17, 28, 66, 88 e 136 kDa, enquanto que nos positivos foram observadas bandas de 31 e 34 kDa. O uso da proteômica, portanto, para identificação de caprinos portadores dessa enfermidade poderá, em um futuro próximo, levar à identificação de biomarcadores, colaborando com programas de controle e erradicação da Artrite Encefalite Caprina no Brasil.

Fonte: Accoba

Adaptação: Revista Veterinária

 

 

 

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