Conheça um pouco mais sobre a doença Papilomatose bovina

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Espécies de tumores, geralmente circulares, que ocorrem, na maioria das vezes, na epiderme (camada mais externa da pele), os papilomas são benignos, de tamanho e cores variadas. Possuem superfícies pontiagudas, lisas, ásperas ou rugosas, com aspecto semelhante ao da couve-flor. Causam doenças crônicas nos rebanhos. É uma enfermidade infectocontagiosa.

Os papilomas podem chegar a medir vários centímetros de diâmetro e estar parcialmente aderidos à pele ou pendurados. Tem a cor cinza-claro ou escuro, podendo, também ser rosados ou esbranquiçados. Sua incidência tem aumentado entre os rebanhos brasileiros, nos últimos anos.

É uma doença transmitida dos animais doentes para os sadios, principalmente no contato com ambientes infectados, ou por meio de material contaminado, como seringas, agulhas de injeção, material de castração ou descorna, cordas, cabrestos, arames farpados, ordenhadeira mecânica, carrapatos, piolhos e outros insetos hematófagos (que se alimentam do sangue dos animais).

A cabeça, ao redor dos olhos, a cara, o pescoço, tetas e pênis são os locais onde os papilomas mais se localizam, e apresentam aspecto desagradável. Dependendo da condição e gravidade, tornam-se extremamente incômodos para os animais, provocando estresse e, consequentemente, queda na produção de leite e carne, predispondo-os às infecções bacterianas secundárias (inflamação com pus e cheiro ruim, por debaixo da pele, no local afetado pelos tumores) e miíases (bicheiras). Podem também danificar o couro.

Esta enfermidade está diretamente relacionada à capacidade de invasão do microrganismo, à resistência imunológica (capacidade de reagir a uma infecção) do animal e às condições do meio ambiente.

Às vezes, espalham-se por todo o corpo. Porém, em nossos rebanhos, são mais frequentes os que se localizam na barbela e nas tetas. Existem também outros que se localizam na base da língua, esôfago e bexiga, sendo, porém, mais raros. É comum, em nossos rebanhos, um mesmo animal apresentar dois ou mais tipos de papilomas.

Prejuízos são causados tanto para animais de leite quanto para os de corte. As lesões dificultam a ordenha quando localizadas nos tetos, podendo provocar queda na produção de leite e mastite. Infecções intensas podem estressar o animal, que perderá peso e ficará exposto a outros tipos de infecção.

A papilomatose merece grande atenção dos pecuaristas, tendo em vista que nos rebanhos de leite, a incidência de verrugas nos tetos dificulta a ordenha, o ajuste dos equipamentos, o animal retrai o leite por causa da dor e, se atinge o orifício mamário, prejudica a performance do animal leiteiro, lesando-o na parte fundamental de sua produção. A situação se agrava em rebanhos que utilizam ordenhadeira mecânica, em que serão frequentes a queda das teteiras e a entrada de ar.

Em rebanhos de corte infecções intensas podem estressar o animal, provocando queda de peso e danos como perda do couro. Nos dois tipos de rebanhos o aspecto tumoral das lesões, além de desagradável, desvaloriza comercialmente os animais, pois no caso não são aceitos nem mesmo para abate. Outro impedimento é o de participarem de eventos, tanto pelo aspecto do animal com lesões, quanto pela característica contagiosa da doença.

A forma mais eficaz de se evitar a entrada da doença no rebanho é não comprar animais com papilomas, pois uma vez instalada no rebanho, o foco de contaminação dificilmente será eliminado. Porém, a primeira providência a ser tomada, quando detectada a presença de algum animal com papilomas, é separá-lo do restante do plantel e combater o problema.

Controlar carrapatos e moscas que se alimentam de sangue dos bovinos é uma boa maneira de se prevenir a doença. Enfim, em qualquer atividade que envolva todos os animais do rebanho, os doentes devem sempre ser manejados por último.

Tratando-se de uma virose, para o tratamento dos animais contaminados, não existe receita milagrosa. A mutação dos vírus causadores da doença não permite o desenvolvimento de um medicamento capaz de resolver todos os tipos de verrugas.

Recomenda-se o uso de vacinas autógenas, isto é, preparadas com tecidos dos papilomas do próprio rebanho, que receberá a vacina, em repetidas doses. A eficácia da vacina vai depender da fase em que as lesões se encontram. Devem-se associar práticas corretas de manejo, com adoção de medidas higiênicas e isolamento do animal doente para se evitarem novas contaminações.

A remoção cirúrgica, muitas vezes, é empregada sendo, porém, um processo traumático, só deverá ser empregado em animais que possuam pequena quantidade de papilomas.

Fonte: Embrapa Gado de Leite.

Adaptação: Revista Veterinária

 

 

 

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Atualizado em: 24 de fevereiro de 2012

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