Doenças uterinas em vacas: conheça as que mais afetam o rebanho leiteiro

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Doenças uterinas vacas conheças as que mais afetam o rebanho leiteiro

As doenças uterinas em vacas mais comumente diagnosticadas no rebanho leiteiro são classificadas de acordo com o período pós-parto. Isso acontece porque nesse momento, é o período no qual o animal encontra-se com o comprometimento local ou sistêmico, os tecidos acometidos, e com a severidade clínica.

Independente da classificação da doença, é importante ter em mente que elas estão todas inter-relacionadas. Isto é, uma situação de retenção de placenta amplia o risco da ocorrência de metrite. E essas, por sua vez, também aumentam o risco da incidência de endometrites.

Diante disso, é importante saber que o trato reprodutivo de vacas leiteiras, no começo da lactação, é atacado por doenças que prejudicam não somente o desempenho reprodutivo. Tais doenças uterinas, também aumentam o risco de outras doenças do periparto, comprometendo a saúde do animal a longo prazo e em diversos aspectos.

Um outro bom exemplo dessa relação entre as doenças são a cetose e deslocamento do abomaso,que, além dos seus sintomas, diminuem a produção de leite, nos primeiros meses pós-parto. Continue lendo esse artigo e saiba mais sobre as principais doenças uterinas!

Tipos de doenças uterinas em vacas de leite

Existe uma associação entre o consumo de matéria seca (MS) no final da gestação, estado imunológico da vaca, e risco de ocorrência de doenças uterinas no início da lactação. Entretanto, ainda não se pode afirmar que essas associações são decorrentes de uma relação de causa-efeito.

É bem provável que o risco de retenção de placenta, metrite puerperal aguda, metrite pós-parto, e endometrites sejam, de alguma maneira, influenciadas pelo estado imunológico sistêmico e local do útero da vaca. 

Por isso, conhecer mais sobre essas doenças auxilia veterinários e criadores a preveni-las de modo eficaz. Além disso, como a incidência de uma pode levar à outra, conhecer suas relações é fundamental para que se trate o animal de forma correta evitando uma piora do seu estado de saúde. Ou seja, conhecer as doenças é uma forma de evitar prejuízos na pecuária leiteira.

Retenção de placenta

Retenção de placenta é uma doença uterina que, em vacas leiteiras, se caracteriza pela falha na expulsão/eliminação das membranas fetais nas primeiras 12 a 24 horas pós-parto. Geralmente, a maioria dos estudos epidemiológicos que analisaram a incidência de retenção de placenta, em vacas de leite, usam como método para seu diagnóstico a presença das membranas fetais no dia seguinte ao parto. É importante destacar que, cerca de 9% das vacas leiteiras que pariram, apresentaram retenção de placenta.

O fator principal dessa doença é a incapacidade do tecido uterino em separar a conexão fetal da materna no placentoma. Esse problema está relacionado à falha na dissolução do colágeno entre o cotilédone e a carúncula. A falta de contrações uterinas, nem sempre, são um fator etiológico importante da retenção de placenta como doença uterina em vacas leiteiras.

Entretanto, é bem possível que, em situações de estresse e dor intensa durante o parto, a liberação de catecolaminas adrenais possa relaxar o útero e, em consequência, reduzir sua capacidade de evacuação do conteúdo uterino, incluindo a placenta. Desse modo, podemos citar como fatores de risco para retenção de placenta:

  • Abortos;
  • Partos gemelares;
  • Natimortos;
  • Distocia; 
  • Cesarianas;
  • Hipocalcemia.

Ainda é importante levar em consideração que vacas multíparas correm maior risco de ter essa doença uterina, que as primíparas.

Outro ponto é que, mesmo que possa parecer o correto, a remoção manual da placenta não é recomendada. Geralmente, a terapia indicada para vacas com retenção de placenta é o monitoramento e tratamento seletivo ao manifestar outros sintomas como febre ou inapetência. Diante disso, a escolha do tratamento pode envolver o uso de antimicrobianos de aplicação sistêmica ou intra-uterina. 

A sua prevenção exige a realização de programas nutricionais e de saúde da vaca de transição. Desse modo, o objetivo é melhorar a competência imunológica da vaca e evitar o estresse. Além disso, outras medidas como higiene e técnica durante a assistência ao parto não devem ser ignoradas.

Febre pós-parto

Aproximadamente de 10 a 45% das vacas de leite de alta produção têm, pelo menos, um dia de febre (temperatura retal > 39,5 ºC) nas primeiras duas semanas pós-parto. Entretanto, na maioria desses casos, a febre não está ligada com nenhuma outra alteração clínica. Contudo, mais da metade das vacas com febre também apresentam infecção ou outras doenças uterinas.

É provável que o uso de antimicrobianos com base apenas na detecção de febre seja, até certo ponto, desnecessário. Evidentemente, quando a febre está ligada a alterações clínicas do animal, então a terapia antimicrobiana e uso de antitérmicos podem ser benéficos.

Doenças uterinas inflamatórias e infecciosas

Existem muitas doenças uterinas que envolvem infecções e inflamações das diversas camadas do útero. Dentre elas estão a metrite puerperal aguda, metrite, endometrite clínica, endometrite subclínica, e a piometra, que serão descritas a seguir.

Metrite Puerperal Aguda

Esta doença é consequência de uma inflamação grave do endométrio e miométrio, podendo atingir até a serosa uterina. Sua ocorrência pode ser considerada grave uma vez que, algumas vacas com metrite acabam morrendo devido a complicações da doença. Entre estas, as mais comuns são a perfuração uterina e a peritonite.

A metrite é determinada pela presença de uma descarga uterina fétida, com coloração avermelhada ou amarronzada, e de aspecto aquoso com debris de tecidos. Quando há sinais, como febre e falta de apetite, a doença é conhecida como metrite puerperal ou metrite aguda. Assim, a vaca pode exibir sinais de septicemia e corre até mesmo risco de morte.

Essa doença, em geral, afeta uma média de 5 a 30% das vacas de leite de alta produção, com uma ocorrência menor em vacas em sistema de pastejo. Para esta enfermidade, vacas primíparas são mais sujeitas à doença que multíparas, certamente devido ao maior risco de distocia.

Existem vários fatores de risco para metrite, dentre eles a distocia, natimorto, hipocalcemia, parto gemelar, e retenção de placenta. Além disso, o nascimento de bezerros machos, também está relacionado com maior risco de metrite, por causa do seu maior tamanho. 

Geralmente, quando uma vaca de leite é diagnosticada com metrite, certamente haverá perdas de produção e aumento no risco de descarte. Consequentemente, este animal pode ter uma piora no desempenho reprodutivo.

O tratamento da metrite pós parto, assim como em outras doenças uterinas, requer o uso de antibióticos e o uso de antipiréticos. Para esses casos, o uso de terapia de suporte para conter a hipocalcemia e hipoglicemia também é recomendado. De modo geral, o resultado ao tratamento com antibióticos é positivo e o tipo de antibiótico utilizado parece não ser decisivo. 

Endometrite Clínica

Entre as doenças uterinas inflamatórias temos a endometrite clínica. Esta doença é definida por uma inflamação localizada no endométrio da vaca. Assim, está frequentemente relacionada com uma infecção bacteriana do útero, provocada especialmente pelo A. pyogenes.  

Ela acontece após a terceira semana pós-parto e leva à diminuição da fertilidade da vaca leiteira. A doença é reconhecida pela presença de exsudato uterino purulento ou mucopurulento (> 50% pus). 

O princípio básico do tratamento da endometrite clínica é eliminar a infecção bacteriana, diminuir o processo inflamatório uterino e retomar a fertilidade da vaca. Em geral, para o tratamento da endometrite clínica, faz-se o uso de antibióticos sistêmico ou local. A utilização da prostaglandina para o tratamento da endometrite clínica, parece ser tão eficiente quanto os tratamentos com antibiótico intra-uterino.

Endometrite Subclínica

A endometrite subclínica é uma doença de origem crônica, que é definida pela presença de neutrófilos na citologia uterina e na ausência de sinais clínico de inflamação, como por exemplo, o exsudato purulento. Vacas com retenção de placenta, metrite, ou apenas febre sem sintomas clínicos tem o dobro do risco de desenvolverem endometrite subclínica após 30 dias pós-parto. 

Infelizmente, ainda é difícil determinar qual a melhor estratégia para o tratamento da endometrite subclínica. Isso porque, mesmo que a doença tenha caráter crônico, seu predomínio cai com o passar da lactação. Vale ressaltar que sua incidência é maior em casos de inseminações que ocorrem nos primeiros 2 ou 3 meses pós-parto. 

Contudo, é importante destacar que cerca de 70% dos casos de endometrite subclínica não estão ligados ao isolamento de bactérias aeróbias do lúmen uterino. Portanto, é improvável que o uso de antimicrobianos sejam interessantes, do ponto de vista de diminuir o processo inflamatório e recompor a fertilidade na vaca de leite.

Por isso, até que se conheça melhor os mecanismos pelos quais a endometrite subclínica interfere no ambiente uterino e a fertilidade da vaca de leite.

Piometra

A piometra é uma forma de endometrite clínica que se caracteriza pelo acúmulo de material purulento no lúmen uterino, persistência do corpo lúteo e suspensão da ciclicidade. De maneira geral, a piometra está associada a infecções por A. pyogenes. Mas, em rebanhos com monta natural, a piometra é um dos sinais clínicos da tricomoníase. 

O tratamento mais eficaz para a piometra é o uso de duas doses de agente responsável pela regressão do corpo lúteo, com 12 a 14 dias de intervalo. O tecido uterino tem grande capacidade de recuperação clínica e, por isso, é muito comum o uso de terapias empíricas para o tratamento dessas doenças.

Tratar doenças uterinas em vacas leiteiras é garantir o sucesso da produção!

Por fim, fica claro que as doenças uterinas apresentam um problema para o rebanho bovino, principalmente o leiteiro. Como essas enfermidades estão interligadas, a ocorrência de uma pode comprometer a eficiência do animal por períodos longos e levar ao espalhamento para as demais fêmeas. Por isso, é de grande importância melhorar o bem estar animal e restabelecer a saúde do trato reprodutivo. Só com o manejo correto e os cuidados de sanitização regulares é possível isolar a doença e tratar o animal do jeito certo. Dessa forma, também é possível minimizar o impacto na produção de leite, e fazer com que a vaca se torne gestante no período pós-parto.

Independente de quais das doenças uterinas se manifestem, o desafio enfrentado pelo produtor de leite e pelo profissional de medicina veterinária é introduzir programas de prevenção, diagnóstico, e tratamento dessas enfermidades. Só assim, tanto a incidência quanto a prevalência serão minimizados. Isso também auxilia para que o impacto, tanto no aspecto reprodutivo e produtivo do rebanho seja mínimo. Tornando o seu empreendimento mais lucrativo. 

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Fonte: Milkpoint

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Atualizado em: 20 de novembro de 2020

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