Exame periódico de casco de bovinos

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Os vertebrados terrestres, segundo os cientistas, descendem da metamorfose de peixes que tinham quatro barbatanas na parte inferior do corpo. As barbatanas se transformaram em cascos, em função de uma proteína chamada queratina, que também faz os chifres.
Nestes locais, não há sangue nem nervos. Por isso, os animais não sentem, em condições normais, dor, frio ou calor.

Problemas de casco são bastante observados em animais confinados, causados principalmente por quatro tipos de infecções, dentre elas:
Dermatite interdigital – consiste em uma inflamação da pele do espaço que separa os dois cascos, devido à ação de duas bactérias, a Fusobacterium necrophorum ou bacilo da necrose e a Bacteroides nodosus. Aparentemente, é contagiosa. O animal atingido apresenta, no espaço entre os dedos endurecimento e necrose das fibras, de coloração acinzentada e odor repugnantes.

Pode ser observada em qualquer estação nos animais mantidos em estábulo, embora seja mais frequente no inverno, em especial nos estábulos cujo piso ou as camas estejam úmidas ou sujas. Produto da falta de asseio, tende a se disseminar entre um grande número de animais.
Examinando em pé e amarrado, o animal revela uma impotência funcional, a claudicação. Coloca bem para fora o membro atingido, normalmente uma das patas traseiras. Desta forma, transfere uma parte do apoio para outra pata de trás, que sofre um desvio inverso.

Não é possível descobrir outras anomalias num exame após lavagem com água sob pressão, mesmo a pequena distância. Só com um exame aproximado do espaço interdigital de contenção adequada do animal e da limpeza cuidadosa da região, se pode descobrir, entre os dois cascos, a origem da manqueira. Livre da enduração, a pele do espaço, entre os dedos aparece avermelhada, ulcerada em diversas partes e com excesso de queratinização, dentre outras coisas.

Especialmente durante a pastagem, a dermatite interdigital pode evoluir para a cura espontânea: as lesões cicatrizam, a claudicação se atenua até desaparecer. Outras vezes, a brecha na pele permite que a infecção, complicações, como o panarício interdigital.
Persistindo, a doença pode tornar-se crônica e se estender a ponto de provocar perturbações na produção de queratina.

Sem esta proteína, a substância córnea, osso existente na pata dos bovinos, torna-se folheada ou crivada de buracos. Finalmente, surge uma lesão em formigueiro que predispõe à formação da úlcera da planta.

Outra consequência da dermatite interdigital crônica é o eventual surgimento de uma excrescência alongada (calo), dura e fibrosa tão grande que pode chegar a exigir uma cirurgia.

A má higiene das camas favorece a fixação do bacilo da necrose e do Bacteroides nodosus. São necessárias, portanto, medidas preventivas, como o cuidado das camas e dos pisos da zona de estábulo e o diagnóstico, isolamento e tratamento precoce dos animais reconhecidamente atingidos.

O exame periódico dos casos durante o trato permite o diagnóstico precoce dos primeiros casos. O tratamento consiste, então na aplicação local de antissépticos, de antibióticos, de sulfanilamidas em forma de spray, em solução ou em pó, eventualmente cobertos por um curativo.

Na propriedades onde estas medidas fossem insuficientes, poderiam ser tentadas outras, ainda experimentais, como a suplementação de zinco no regime ou o emprego de vacinas utilizadas na profilaxia da doença do casco da ovelha.

Por Felipe Rodrigues – Revista Veterinária

 

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