Como escolher o período de reprodução ovina?

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A escolha da época para a realização da estação de reprodução deve ser baseada em uma série de variáveis respeitando-se as condições climáticas da região, a capacidade de reprodução do macho e da fêmea, a disponibilidade de alimento durante os períodos de nascimento das crias e de lactação, entre outros. Nesse sentido, três requisitos devem ser observados para determinação da melhor época de acasalamento: a) deve corresponder ao período de maior atividade sexual das ovelhas e de melhor produção de sêmen pelos carneiros no caso de raças sazonais; b) permitir o nascimento dos cordeiros em uma época favorável para a lactação da ovelha e para a sobrevivência da cria e c) considerar o melhor momento para a comercialização dos produtos. Outro ponto que deve ser observado quando se objetiva uma maior eficiência reprodutiva, é manter as matrizes ganhando peso (status anabólico) durante todo o período de acasalamento. As ovelhas que ganham peso antes e durante o período de acasalamento apresentam maior fertilidade, resultando em menor número de ovelhas vazias, bem como maior taxa de partos gemelares.

No caso de fêmeas sazonais, a época do ano destinada à estação reprodutiva, quando se objetiva um parto ao ano, deverá ter início 90 a 100 dias antes do início do inverno. Dessa forma, o período de maior fertilidade dos animais é aproveitado, podendo inclusive minimizar os custos com a nutrição da matriz no pré e pós-parto. Entretanto, nesse caso, deverá existir a preocupação com a alimentação dos cordeiros após o desmame.

Quando a raça trabalhada não apresentar estacionalidade reprodutiva, devem-se levar em conta os aspectos econômicos e realizar a estação de monta visando o abate dos cordeiros nos meses do ano em que a demanda é maior. Este recurso também pode ser utilizado em raças sazonais, porém será necessária a utilização de ferramentas (tratamentos hormonais, programas de luz, "flushing", entre outros) para que as matrizes entrem em cio na época esperada.

Observando os fatores citados anteriormente (disponibilidade de alimentos, época de abate, facilidade de manejo), pode-se trabalhar com uma ou mais estações reprodutivas por ano dependendo do nível de intensificação da propriedade. Em sistemas pouco intensificados geralmente é utilizada apenas uma estação de monta por ano, na qual o lote de matrizes fica com o reprodutor por um período pré-estabelecido, que em geral é de dois a três meses. Utilizando apenas esse recurso já é possível concentrar os períodos de nascimento, de desmama e de abate. É importante ressaltar que essa concentração de nascimentos pode não ser interessante dependendo do objetivo da criação. Em alguns casos particulares, a manutenção do reprodutor com as matrizes ininterruptamente durante todo o ano pode ser a alternativa mais viável.

Em sistemas de baixa a média intensificação, podem ser definidas duas estações reprodutivas por ano, sendo necessário dividir as matrizes em dois lotes, obtendo dois períodos de nascimento e dois de abate a cada ano. Existe ainda a opção, para sistema mais tecnificados, de realizar três estações por ano. Nesse caso, serão formados dois lotes que entrarão em monta alternadamente (a cada oito meses), obtendo-se por ano três períodos de nascimento, desmama e abate. Ao utilizar este sistema é possível atingir três partos em dois anos e planejar as coberturas de forma a obter cordeiros para abate nas três épocas do ano em que ocorre maior demanda. O número de matrizes em cada lote deve ser definido de acordo com a disponibilidade de recursos e também com a demanda regional dos produtos.

Nesta etapa vale lembrar que um dos pontos de estrangulamento da cadeia produtora de ovinos é a falta de constância no abastecimento de produtos ao mercado consumidor. Este fato deve ser levado em conta no momento de definir a estação reprodutiva. No local onde a propriedade se encontra, é melhor ofertar poucos cordeiros para o abate durante todo o ano ou fornecer uma maior quantidade de animais em determinados períodos.

Em um sistema de três parições por ano, pode-se realizar até doze estações reprodutivas anuais. No entanto, este tipo de manejo só pode ser adotado em propriedades altamente tecnificadas, com grande número de animais e piquetes e/ou baias para dividir o rebanho em vários lotes de manejo, além de organização, mão de obra qualificada e acompanhamento técnico minucioso e frequente das atividades na fazenda. Nesta situação é ainda mais difícil utilizar raças sazonais devido ao alto custo do tratamento hormonal para indução de cio. Com esse manejo é possível distribuir de uma maneira mais uniforme a produção de cordeiros para abate ao longo de todo o ano.

Independente do sistema escolhido para realizar os acasalamentos, a adoção de manejo sanitário e nutricional adequados antes e durante as épocas de cobertura é obrigatória. Cuidados especiais devem ser tomados no terço final da gestação e após o parto quando ocorre a maior exigência nutricional das fêmeas para a engorda do cordeiro e lactação.

  Fonte: CPT Cursos Presenciais  

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Atualizado em: 19 de janeiro de 2012

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