Ovinocultura e estresse térmico em ovinos lanados no Brasil

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A ovinocultura tem crescido cada ano mais no Brasil, chegando a ocupar em 2007, segundo dados coletados pelo Instituto FNP (empresa de consultoria agropecuária) e Sebrae, a 16º posição no ranking de maiores criadores do mundo. Em 2010, o país apresentou um número de 16.068.621 de cabeças de ovinos.

Devido ao aumento, tanto do número de criadouros, quanto do número de cabeças por propriedade, essa tem sido uma área responsável por uma leva muito grande de empregos no Brasil, empregando em torno de 20 mil pessoas diretamente e 300 mil indiretamente, gerando uma renda anual de R$ 686 milhões para unidades de agricultura familiar.

É compreensível um aumento desses em tão pouco tempo, com o aparecimento de novas técnicas e produtos para manejo dessa cultura. Um dos maiores problemas enfrentados pelos criadores é devido ao fato da maioria dos animais serem importados da Europa, que apesar de possuir uma tecnologia pioneira, possui clima e relevo diferente do nosso.

A tosquia desses animais na Europa, geralmente é feita simplesmente como medida de higiene, o mesmo acontece na região Sul do Brasil, por sua semelhança climática (temperaturas baixas). Já nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, vêm se concentrando ovinoculturas produtoras de lã e carne, o que traz uma grande preocupação com o estresse térmico nesses animais, pois são regiões de climas de temperaturas médias.

Todos os animais, como humanos, sofrem intensa influência do clima em seu metabolismo, porém, os humanos conseguem, com maior facilidade, amenizar essas diferenças com ventiladores, ar- condicionado, cobertores e casacos em situações inversas, enquanto que os animais por conta própria, apenas utilizam formas naturais para essa termorregulação, como por vias aéreas, troca de calor por condução e evapotranspiração cutânea. Essa interferência no metabolismo desses animais pode levar a um quadro de estresse, provocando alterações fisiológicas no mesmo, causando queda na capacidade de reprodução e produtividade do animal.

A lã, nos ovinos, tem a capacidade de isolante térmico, ou seja, quando expostas a uma temperatura maior à temperatura ótima para sua espécie, o animal sente maior necessidade de eliminar calor por outras vias, que muitas vezes não dão conta e causam sérios problemas.

Uma solução para o problema do calor é a tosquia com maior frequência em regiões tropicais. Duas principais desvantagens dessa técnica são menor qualidade da lã devido ao menor tempo de crescimento da mesma e esse clima provoca o crescimento de fios curtos e grossos, enquanto que em climas frios se obtêm fibras de melhor qualidade, demonstrando o quanto a derme também é afetada.

Contudo, a escolha pela espécie e técnica certa para a produção é de grande importância para melhor aproveitamento produtivo, maior sucesso do empreendimento e bem-estar animal.

Fontes: Revista CFMV

Adaptação: Revista Veterinária

 

 

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Atualizado em: 23 de maio de 2012

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